
O governo federal anunciou recentemente uma série de ações destinadas a reduzir os preços de alimentos essenciais no mercado interno. Entre as medidas, destaca-se a eliminação temporária das tarifas de importação para diversos produtos alimentícios. Além disso, foram propostas iniciativas para fortalecer os estoques reguladores e priorizar a produção de itens da cesta básica. Especialistas avaliam que essas mudanças podem ter impactos variados, dependendo do produto e das condições do mercado.
Redução de Tarifas de Importação
A decisão de zerar as tarifas de importação visa tornar mais acessíveis produtos como carne, café, açúcar, milho e óleos. Essa medida tem como objetivo principal incentivar a entrada de mercadorias estrangeiras no país, aumentando assim a oferta e potencialmente reduzindo os preços nos supermercados. No entanto, especialistas alertam que o efeito prático pode ser limitado para alguns itens, especialmente aqueles produzidos em larga escala no Brasil.
Para produtos como carne e café, cuja produção nacional é robusta, a redução de impostos pode não resultar em queda significativa dos preços finais. O economista Vitor Hugo Miro ressalta que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais desses itens, e fatores globais, como a escassez de safra em outros países, podem continuar influenciando os preços internacionais. No caso da carne, por exemplo, o aumento das exportações brasileiras em 2024 indica que a oferta doméstica não está comprometida. Já para produtos majoritariamente importados, como o azeite, a expectativa é de que a redução de impostos seja mais efetiva na diminuição dos custos ao consumidor final.
Fortalecimento de Estoques Reguladores
Outra medida importante anunciada pelo governo é o investimento em estoques reguladores, administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa estratégia visa garantir maior estabilidade nos preços de alimentos durante períodos de alta demanda ou escassez. A política de formação de estoques foi retomada em 2023 após seis anos de suspensão, e agora recebe novo impulso com promessas de expansão.
Vitor Hugo Miro observa que a formação de estoques em momentos de baixa oferta permite à Conab vender alimentos quando os preços sobem, ajudando a equilibrar o mercado. Entretanto, ele questiona a viabilidade dessa abordagem em contextos de inflação elevada. Isadora Osterno concorda que os estoques reguladores podem contribuir para a estabilização de preços, mas enfatiza que fatores como custos de produção, logística e condições climáticas também desempenham papel crucial. Adicionalmente, o Plano Safra prevê incentivos específicos para agricultores que focam na produção de itens básicos, visando fortalecer a oferta interna e mitigar aumentos de preços.
