
O governo federal planeja isentar impostos de importação, mas outros fatores já estão contribuindo para a queda nos preços dos alimentos. A moeda americana mais estável e o início da safra são os principais motivadores. Além disso, produtos como batata, cebola e leite longa vida já mostram sinais de redução nas pesquisas semanais de inflação. Outros itens, como arroz, feijão, óleo de soja, carne e açúcar também apresentam quedas significativas. Em breve, a safra de grãos promete ainda mais impacto positivo no mercado, especialmente na produção de carnes e ovos. No entanto, o café continua enfrentando desafios globais.
Impacto Direto do Clima e Moeda Americana
A estabilidade do dólar e as condições climáticas favoráveis estão entre os principais fatores que influenciam a queda nos preços dos alimentos. As temperaturas mais amenas ajudaram a recuperar plantações danificadas por altas temperaturas anteriores, resultando em maior oferta e menor custo para os consumidores. Além disso, a redução da taxa de câmbio do dólar diminuiu a concorrência com exportações, beneficiando os mercados internos.
As pesquisas semanais de inflação, realizadas pela Fundação Getúlio Vargas, já registram quedas em produtos como batata, cebola e leite longa vida. Marcio Milan, vice-presidente Institucional e Administrativo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), menciona outras quedas notáveis: arroz (-5%), feijão (-7%), óleo de soja (-5%) e carnes (-3% a -6%). O açúcar manteve seu preço estável. A entrada da safra de grãos, como soja e milho, deve conter a alta e até reduzir ainda mais os preços de óleos e produtos derivados desses grãos. O ovo, apesar da pressão da gripe aviária nos Estados Unidos, também pode ver uma queda devido à redução do consumo após a quaresma e ao possível declínio nos preços das carnes.
Efeitos Futuros da Safra e Mercado de Trabalho
Com a chegada da safra de soja e milho, espera-se um aumento na oferta de grãos, o que deve afetar positivamente o preço de vários alimentos. A produção de carnes de suínos e aves, bem como ovos, deverá se beneficiar diretamente dessa abundância. No entanto, o café continua sendo um desafio devido à safra mundial deficitária e especulação, mantendo os preços em alta.
Na Ceasa de Porto Alegre, os preços permaneceram estáveis na última semana, após elevações substanciais causadas pelas altas temperaturas. Com o clima mais ameno, as plantações começaram a se recuperar. O dólar, que elevou os preços no último trimestre de 2024, agora apresenta uma queda significativa, beneficiando os importados e reduzindo a concorrência com exportações. Embora o mercado de trabalho continue forte com aumentos salariais, a inadimplência atinge recordes devido à alta inflação e juros, levando a uma redução no consumo. Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), projeta uma safra recorde em 2026, que poderá trazer alívio aos preços do café. “Em setembro, quando começar a florada da próxima safra, possivelmente teremos uma queda nas cotações”, afirmou. Estes fatores combinados devem continuar influenciando positivamente os preços dos alimentos no futuro próximo.
