
Um encontro ocorrido na última quinta-feira, 6, entre associações do setor alimentício e representantes do governo Lula gerou insatisfação entre os participantes. O encontro visava discutir estratégias para conter a escalada dos preços dos alimentos no Brasil. A reunião foi liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que anunciou uma série de medidas, incluindo a eliminação temporária do imposto de importação sobre diversos produtos alimentícios. No entanto, as propostas apresentadas pelos setores foram recebidas com ceticismo e não encontraram eco junto às autoridades.
O pacote de medidas anunciado pelo governo prevê a redução à zero da alíquota do imposto de importação para vários itens essenciais, como carne, café, açúcar e milho. Essa iniciativa visa facilitar a entrada desses produtos no país, potencialmente ajudando a diminuir os preços nas prateleiras. No entanto, essa medida ainda precisa ser aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) para entrar em vigor. Embora seja um passo importante, muitos economistas questionam a eficácia da medida, considerando que o Brasil já é um grande produtor de quase todos os itens mencionados.
A percepção geral após a reunião foi de frustração. Participantes relataram que suas sugestões foram ignoradas e que não houve espaço para diálogo. Um representante das associações destacou que "não houve oportunidade para defender nossas ideias", expressando preocupação com a falta de impacto real das medidas anunciadas. Especialistas apontam que a isenção do imposto de importação pode ter maior relevância apenas para produtos como azeite de oliva e sardinha, que não são produzidos em larga escala no Brasil e têm taxas de importação significativas.
A reunião contou com a presença de ministros-chave, incluindo Rui Costa (Casa Civil), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar). Do lado das associações, estiveram presentes representantes de organizações importantes do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes e a Associação Brasileira de Supermercados, entre outras.
Apesar das medidas anunciadas, a percepção dominante é de que o pacote do governo não aborda adequadamente as causas fundamentais da inflação dos alimentos. Muitos setores esperavam um diálogo mais aberto e soluções mais direcionadas aos desafios específicos enfrentados pela indústria. A expectativa agora é que novas discussões possam trazer resultados mais concretos para o controle dos preços.
