
A jornalista Renata Ceribelli, figura icônica com mais de quatro décadas de experiência na televisão, lidera a nova temporada do quadro 'Prazer, Renata' no programa 'Fantástico', da TV Globo. Lançada em julho, a série em quatro episódios se aprofunda no tema do envelhecimento, indo além da abordagem convencional da sexualidade e dando voz a narrativas frequentemente ignoradas ou estigmatizadas pela sociedade. Aos 61 anos, Ceribelli partilha suas perspectivas sobre como a passagem do tempo moldou sua trajetória profissional e a maneira como a indústria televisiva lida com a questão da idade. Ela relembra as transformações nos padrões visuais para repórteres ao longo dos anos, desde a rigidez inicial que exigia trajes formais e limitava o uso de acessórios, até a gradual flexibilização. No entanto, a jornalista salienta que, apesar das mudanças, o preconceito social em relação à aparência e ao processo de envelhecimento ainda persiste de forma marcante.
Ceribelli aponta a indústria da publicidade como um dos principais motores na perpetuação de padrões estéticos muitas vezes inatingíveis. Ela exemplifica com o fenômeno do 'skincare', que, embora tenha surgido como um incentivo ao autocuidado, foi rapidamente capitalizado pelo mercado para promover produtos e procedimentos. A jornalista reconhece seu próprio consumo desses itens, mas ressalta que essa observação não é uma crítica, e sim uma constatação sobre a dinâmica do setor. Para ela, a verdadeira mudança na forma como as mulheres são retratadas deve vir de um movimento interno, impulsionado pelas próprias mulheres. Ceribelli defende que a mídia tem um papel crucial em apresentar a mulher real, mas acredita que essa transformação não pode ser imposta de fora. É fundamental que as mulheres cultivem o amor-próprio e evitem exigências excessivas umas das outras, deixando de se ver apenas como um segmento de mercado.
A iniciativa de Renata Ceribelli no 'Fantástico' é um lembrete poderoso de que a representatividade importa e que o diálogo sobre o envelhecimento deve ser contínuo e inclusivo. Ao abordar um tema tão relevante, a jornalista não apenas oferece novas perspectivas, mas também inspira a sociedade a repensar conceitos arraigados sobre beleza, idade e valor. Sua voz ressoa como um chamado à aceitação, ao empoderamento feminino e à desconstrução de padrões que limitam a individualidade e a experiência humana. É uma jornada em direção a uma sociedade mais justa e compreensiva, onde a passagem do tempo é celebrada e cada fase da vida é vista com dignidade e respeito.
