Redução de Impostos de Importação Visa Controlar Inflação Alimentar

O governo implementou uma medida significativa para combater a inflação dos alimentos, reduzindo as alíquotas do Imposto de Importação de diversos produtos essenciais a zero. Especialistas em economia e instituições públicas têm analisado o impacto fiscal e a eficácia dessa decisão. Enquanto alguns defendem que o custo para os cofres públicos é relativamente baixo, outros alertam para possíveis consequências negativas, como a diminuição da arrecadação e aumento do déficit. Este artigo explora as implicações desta medida e as perspectivas futuras.

A política recentemente anunciada pelo governo visa mitigar o aumento dos preços de vários alimentos através da eliminação temporária das tarifas de importação. Produtos como azeite, óleo de girassol, milho, sardinhas, biscoitos, massas alimentícias, café, carnes e açúcar estão incluídos nesta iniciativa. Segundo Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, esta mudança pode resultar em uma perda estimada de R$ 1 bilhão na receita federal ao longo de um ano. No entanto, ele ressalta que apenas três itens — azeite, milho e carnes — representam a maior parte deste impacto fiscal.

Apesar das expectativas positivas, o Centro de Liderança Pública (CLP) expressa preocupações sobre a eficácia da medida no controle da inflação alimentar. A entidade argumenta que fatores estruturais, como as flutuações cambiais e as dinâmicas do mercado agrícola global, têm maior influência nos preços dos alimentos. Sem uma política mais sólida e previsível nesses aspectos, a redução temporária dos impostos pode não ser suficiente para garantir uma queda consistente nos preços a médio e longo prazos. O CLP também alerta para riscos adicionais, como a potencial redução da arrecadação e pressões sobre o câmbio.

Embora haja desafios, o CLP sugere que a supersafra prevista para 2025 pode contribuir naturalmente para a estabilização dos preços devido ao aumento da oferta interna. Esta perspectiva oferece esperança de que, independentemente das medidas fiscais atuais, o mercado doméstico possa encontrar formas alternativas de equilibrar os preços dos alimentos. A discussão continua sobre como o governo pode melhor equilibrar as políticas econômicas para enfrentar tanto os desafios imediatos quanto os estruturais da economia nacional.