



A utilização crescente de smartphones tem transformado a rotina diária das pessoas, com estatísticas recentes indicando um tempo médio de uso de 4,5 horas por dia. Embora os dispositivos móveis ofereçam inúmeras funcionalidades e sejam úteis para lazer e produtividade, seu uso excessivo, especialmente em ambientes educacionais, pode ser prejudicial. Reconhecendo essa problemática, Portugal inovou ao proibir o uso de telefones celulares em escolas, com o objetivo de promover uma maior interação social entre os estudantes e mitigar o assédio escolar. Esta iniciativa posiciona Portugal como um país à frente na busca por ambientes educacionais mais saudáveis e focados no desenvolvimento integral dos jovens.
A evolução dos aparelhos móveis tem sido notável, passando de simples ferramentas de comunicação para dispositivos multifuncionais com acesso irrestrito à internet e uma vasta gama de aplicativos. Contudo, essa conveniência vem acompanhada de desafios, como a dependência e o impacto negativo na saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes. Redes sociais, em particular, podem gerar problemas de autoestima e tristeza, à medida que a validação pessoal passa a ser atrelada a \"curtidas\" e \"comentários\". É nesse contexto que a decisão portuguesa de restringir o uso de celulares nas escolas ganha relevância, visando proteger os jovens dos efeitos adversos da conectividade constante.
O Ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, apresentou evidências que fundamentaram a proibição, destacando os malefícios do uso de celulares por crianças e jovens. A partir do ano letivo de 2025-2026, alunos do primeiro e segundo ciclo do ensino primário, com idades entre 6 e 12 anos, não poderão usar seus dispositivos móveis em sala de aula. Para estudantes acima de 12 anos, pertencentes ao terceiro ciclo, embora não haja uma proibição total, o não uso de smartphones durante o período letivo é fortemente recomendado, e medidas de controle serão implementadas.
Resultados preliminares de uma pesquisa envolvendo diretores de 809 escolas portuguesas revelaram um impacto extremamente positivo da medida. A proibição do uso de celulares resultou na redução do assédio escolar em mais da metade das turmas de alunos com idades entre 10 e 18 anos. No grupo mais vulnerável, de 10 a 12 anos, observou-se uma impressionante diminuição de 59% nos casos de bullying. Mesmo na faixa etária de 6 a 9 anos, onde o impacto dos celulares é menor, houve uma melhoria de 33%, o que reforça a eficácia da medida em diferentes grupos etários.
Em suma, a iniciativa de Portugal em proibir o uso de telefones celulares em ambientes escolares representa um passo significativo para reverter os efeitos negativos da superexposição digital na infância e adolescência. Ao priorizar a interação humana e a saúde mental dos alunos, o país demonstra um compromisso com o bem-estar e o desenvolvimento social e emocional das futuras gerações. Os dados iniciais são promissores, indicando que a restrição de dispositivos móveis em sala de aula não apenas melhora a socialização, mas também combate eficazmente o assédio, criando um ambiente educacional mais seguro e propício ao aprendizado.
