
O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a eliminação das tarifas de importação para diversos produtos alimentícios essenciais. A justificativa é que tais medidas visam reduzir o custo desses itens na mesa do brasileiro, considerando que os alimentos e bebidas registraram uma alta significativa no IPCA acumulado em 12 meses. No entanto, especialistas questionam a eficácia dessas ações, especialmente porque a inflação atual tem origem macroeconômica e não está diretamente relacionada à oferta desses produtos.
Análise dos Impactos nas Importações
A medida recentemente adotada visa facilitar a entrada de produtos como carne, café, açúcar, milho e azeite no mercado interno, eliminando as tarifas de importação. O objetivo declarado é tornar esses itens mais acessíveis aos consumidores finais. Contudo, a situação da produção interna e a dinâmica global desses mercados devem ser levadas em consideração para entender plenamente os possíveis impactos.
O Brasil detém posições de liderança mundial na produção de café e açúcar, além de ser um dos principais produtores de milho. Isso significa que a maior parte desses produtos já é gerada localmente. A exceção notável é o azeite de oliva, que é principalmente importado. Portanto, a eliminação das tarifas pode ter efeitos diferentes dependendo do produto específico. Para alguns itens, essa medida pode não representar uma mudança significativa nos preços praticados no mercado doméstico, dada a robustez da produção interna.
Perspectivas Econômicas e Eficácia das Medidas
Embora o governo busque aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos, existem dúvidas quanto à eficácia real dessas iniciativas. Especialistas econômicos argumentam que a inflação atual tem suas raízes em desequilíbrios macroeconômicos, não sendo necessariamente influenciada por mudanças nas tarifas de importação. Além disso, há preocupações com os efeitos colaterais dessas políticas sobre os produtores locais.
Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, ressalta que a inflação atual é de demanda e não de oferta, resultante de impulsos fiscais que criaram desequilíbrios macroeconômicos. Ele aponta que a redução das alíquotas a zero não faz com que os produtos importados se tornem mais baratos do que os nacionais. Além disso, essas medidas podem exercer pressão baixista sobre os preços agrícolas, prejudicando os produtores locais. De acordo com dados fornecidos pela Farsul, no último ano, os preços recebidos pelos produtores caíram 8,10%, enquanto o IPCA Alimentos subiu 7,69%. Essa divergência sugere que os benefícios esperados para os consumidores podem não ser tão evidentes quanto se espera.
