
O governo anunciou recentemente a redução de impostos sobre a importação de diversos produtos alimentícios, incluindo café, azeite e carnes. No entanto, lideranças do setor agropecuário criticam essas medidas, afirmando que não abordam os verdadeiros problemas que impactam o custo final dos alimentos. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) argumenta que cortar impostos sobre insumos agrícolas seria mais eficaz. Além disso, questões como logística e custos operacionais continuam sendo desafios significativos.
Critérios Inadequados das Medidas Governamentais
A estratégia adotada pelo governo foi vista com ceticismo pela Faemg. A redução de impostos sobre produtos importados é considerada insuficiente, pois não ataca diretamente o aumento dos custos de produção. Essa medida, segundo especialistas, beneficiaria outros países em vez de fortalecer a agricultura local. A alta carga tributária sobre equipamentos e insumos agrícolas é apontada como um obstáculo maior para a competitividade interna.
O presidente da Faemg enfatiza que o impacto dessas medidas no preço dos alimentos será limitado. Ele destaca que a diminuição dos impostos sobre insumos agrícolas teria um efeito imediato e positivo na cadeia produtiva. Equipamentos como tratores e pulverizadores têm uma alta carga tributária, dificultando a viabilidade econômica para pequenos produtores. Além disso, a dependência de insumos importados, como fósforo e potássio, aumenta ainda mais os custos de produção. O Brasil possui reservas abundantes de potássio, mas a exploração enfrenta restrições ambientais e legais, forçando a importação desses minerais de outros países.
Desafios Logísticos e Operacionais Impactam Preços
Outros fatores contribuem para a manutenção dos preços elevados dos alimentos, como o alto custo do diesel e as dificuldades logísticas. O transporte rodoviário representa uma parte significativa dos gastos, especialmente quando se trata de produtos perecíveis. As redes de supermercados também enfrentam aumentos nos custos operacionais, dificultando qualquer queda nos preços finais. Esse cenário compromete a capacidade de oferecer alimentos mais acessíveis aos consumidores.
O combustível, principalmente o diesel, é um elemento crucial para o transporte de mercadorias e influencia todos os elos da cadeia produtiva. A falta de infraestrutura adequada, como ferrovias e hidrovias, agrava essa situação. Adicionalmente, os altos custos de energia elétrica e mão de obra pressionam ainda mais as margens de lucro dos supermercados. Diante desse contexto, o governo reconhece que as medidas implementadas podem não surtir efeitos imediatos. Em resposta, líderes políticos sinalizam a possibilidade de adoção de ações mais drásticas caso não haja melhora nos preços dos alimentos. A gestão fiscal responsável e a redução de gastos públicos são vistas como passos fundamentais para controlar a inflação e melhorar a qualidade de vida da população.
