
A recente decisão do governo de zerar as alíquotas do Imposto de Importação para nove tipos de alimentos visa conter a escalada da inflação desses produtos. Esse movimento, que deve resultar em uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo de um ano, foi calculado pelo economista Felipe Salto. A medida abrange itens como azeite, óleo de girassol, milho, sardinha, biscoitos, massas alimentícias, café, carnes e açúcar. Economistas expressam cautela sobre o impacto efetivo dessa política, destacando tanto os benefícios potenciais quanto as implicações fiscais.
Análise Econômica das Concessões Fiscais
O governo implementou uma série de medidas para mitigar a inflação dos alimentos, incluindo a eliminação das tarifas de importação em diversos produtos essenciais. Esta estratégia visa reduzir os preços domésticos e promover maior acessibilidade aos consumidores. No entanto, tal ação traz consequências significativas para as finanças públicas, com estimativas indicando uma perda de arrecadação na casa dos bilhões.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, realizou uma análise detalhada dos dados fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior. Ele observou as taxas atuais de importação desses produtos e considerou os valores FOB das importações entre 2021 e 2024. A partir dessas informações, Salto estima que a receita federal sofrerá uma redução de R$ 1 bilhão nos próximos 12 meses. O economista ressalta que três produtos — azeite, milho e carnes — são responsáveis por quase todo o impacto fiscal. Além disso, ele pondera que, no contexto atual, o custo não é muito relevante para as finanças públicas.
Projeções de Inflação e Perspectivas Futuras
Embora a medida tenha sido anunciada para combater a elevada inflação dos alimentos, especialistas têm opiniões divergentes sobre seu real impacto. A iniciativa precisa ser melhor detalhada, especialmente em relação à vigência e especificação dos códigos dos produtos isentos. Economistas concordam que, embora a renúncia fiscal seja notável, o efeito direto sobre a inflação pode ser limitado.
Fábio Romão, economista da LCA Consultores, prevê que a medida terá um impacto modesto de 0,2% na inflação dos alimentos no domicílio em 2025. Sua projeção anterior para essa categoria era de 7,3%, mas agora foi ajustada para 7,1%. Para o IPCA deste ano, a previsão permanece em 5,6%. Romão destaca que a inflação dos alimentos encerrou o ano passado em 8,2%, e as expectativas para este ano ainda apontam para patamares elevados. Essa política, portanto, representa um esforço adicional para controlar a escalada dos preços, mesmo que seus efeitos sejam graduais e complexos.
