
O falecimento de Mãe Gilda de Ogum em 1999, após ser vítima de difamação por um jornal evangélico, marcou o início do Dia de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado anualmente em 21 de janeiro. No entanto, segundo Mãe Beth de Oxum, uma importante líder religiosa e cultural em Pernambuco, a situação da intolerância religiosa só se agravou desde então. Ela destaca que a crescente influência política das igrejas evangélicas tem contribuído para essa escalada de intolerância. Ainda assim, Mãe Beth ressalta a importância das religiões de matriz africana como forma de resistência contra a materialização excessiva do mundo moderno.
Uma Homenagem e Uma Luta Contínua
No coração vibrante de Olinda, no bairro Guadalupe, Mãe Beth de Oxum mantém viva a tradição do Coco de Umbigada e administra o Terreiro Ilê Axé Oxum Karê. Este espaço não apenas preserva práticas religiosas ancestrais, mas também serve como ponto de cultura reconhecido pelos turistas que visitam a cidade. Mãe Beth foi reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2021, tornando-se a primeira Ialorixá a receber tal honraria. No entanto, ela expressa preocupação com o aumento da intolerância religiosa, particularmente devido ao crescimento da bancada evangélica no Congresso Nacional.
Mãe Beth relata incidentes recentes de discriminação contra seguidores de religiões afro-brasileiras, incluindo insultos a suas filhas em público. Ela critica a interpretação distorcida dos orixás na mídia e alerta sobre os perigos da comercialização da fé. Além disso, ela enfatiza a conexão espiritual entre as religiões de matriz africana e a natureza, destacando a importância de elementos naturais como água e terra em seus rituais.
A liderança religiosa também reflete sobre os impactos negativos da tecnologia moderna na sociedade, argumentando que as redes sociais e as big techs estão causando doenças mentais e isolamento social. Para Mãe Beth, as tradições afro-brasileiras oferecem uma alternativa valiosa, promovendo harmonia com a natureza e comunidade.
Do ponto de vista de um leitor ou jornalista, este relato nos lembra da importância contínua de combater a intolerância religiosa e proteger as tradições culturais. Ele nos instiga a refletir sobre como as forças políticas e econômicas podem moldar nossas percepções religiosas e culturais, e nos encoraja a valorizar a diversidade espiritual e cultural do Brasil. A história de Mãe Beth é um testemunho poderoso da resistência e da resiliência diante de desafios persistentes.
