






A Europa enfrenta uma crescente ameaça invisível, mas de impacto colossal: a proliferação das supercolônias de formigas Tapinoma magnum. Estes insetos, oriundos da bacia mediterrânica, têm demonstrado uma capacidade notável de adaptação e expansão, invadindo ecossistemas e infraestruturas urbanas com consequências alarmantes. A presença massiva destas formigas não só perturba o equilíbrio natural, como também causa danos significativos a sistemas elétricos e de comunicação, exigindo uma vigilância constante e estratégias de controlo eficazes. A sua particular organização social, que permite a fusão de colônias em vastas superestruturas, torna o combate a esta espécie um desafio complexo e de longo prazo.
As implicações desta invasão estendem-se desde o deslocamento de espécies nativas até à interrupção de serviços essenciais nas cidades, com registos de apagões e falhas de internet atribuídos à sua atividade. A dimensão das suas colônias, que podem abrigar dezenas de milhões de indivíduos e cobrir áreas extensas, aliada à sua surpreendente tolerância a diferentes climas, sublinha a urgência de uma resposta coordenada. Portugal, embora ainda sem registos oficiais, encontra-se sob um risco iminente, sendo crucial a adoção de medidas preventivas, especialmente no controlo do comércio de plantas, para mitigar a chegada e o estabelecimento desta praga.
A Formiga Invasora e os Seus Impactos Devastadores
A formiga Tapinoma magnum, uma espécie de apenas 3 mm e coloração escura, nativa da região do Mediterrâneo, está a colonizar rapidamente o continente europeu, causando uma série de problemas. As suas vastas supercolônias, que podem abrigar até 20 milhões de indivíduos e estender-se por 24 hectares, representam um desafio sem precedentes para o controlo de pragas e a manutenção do equilíbrio ecológico. Esta espécie tem a capacidade única de fusionar colônias em vez de as combater, o que acelera a sua disseminação e dominação territorial. A expansão destas formigas é exacerbada pelo comércio hortícola, com plantas e árvores ornamentais a servirem de vetores para o seu transporte.
Os danos causados pela Tapinoma magnum são multifacetados e preocupantes. Em áreas urbanas, a escavação de túneis debaixo de pavimentos e estradas tem levado a abatimentos e fissuras em infraestruturas, como parques infantis e vias públicas. Além disso, estas formigas têm sido responsáveis por roer cabos elétricos e de fibra ótica, provocando interrupções no fornecimento de eletricidade e serviços de internet, como observado em cidades alemãs. Na Suíça, a densidade de algumas colônias era tão elevada que o solo se tornava invisível, demonstrando o impacto colossal que um inseto tão pequeno pode ter quando em número massivo. O seu comportamento altamente social e territorial permite-lhes suplantar rapidamente as espécies nativas, alterando profundamente os ecossistemas locais e criando um desequilíbrio significativo.
Estratégias de Contenção e o Cenário Português
A identificação da Tapinoma magnum requer atenção aos seus padrões de comportamento e a um odor característico. Ao contrário da comum formiga preta de jardim (Lasius niger), a T. magnum movimenta-se em procissões longas e coordenadas. Uma característica distintiva é o odor a “manteiga rançosa” que liberta quando esmagada, um sinal claro da sua presença. A sua resiliência ao frio e a sua rápida adaptação a ambientes urbanos são fatores que complicam o controlo, uma vez que as supercolônias funcionam como redes descentralizadas, onde a multiplicidade de rainhas facilita a colonização de novos territórios. Os métodos de controlo tradicionais revelam-se frequentemente ineficazes devido à sua capacidade de desenvolver resistência a venenos e à sua complexa estrutura social.
Para Portugal, o risco de chegada e estabelecimento da Tapinoma magnum é real e exige medidas preventivas rigorosas. Apesar de o país ter espécies nativas do género Tapinoma, a vigilância em centros de jardinagem e o controlo das importações de plantas são passos cruciais para evitar a introdução desta espécie invasora. A dificuldade em eliminar estas superformigas, uma vez estabelecidas, sublinha a importância da prevenção. Embora não haja registos oficiais da sua presença em território português, a sua propagação por países vizinhos, como Espanha, acende o alerta para a necessidade de um plano de monitorização e resposta. A colaboração entre autoridades, cientistas e o público é essencial para detetar precocemente a sua chegada e implementar estratégias eficazes que minimizem o seu impacto destrutivo no ambiente e nas infraestruturas nacionais.
