Inflação Alimentar Impacta Rotina e Escolhas de Consumidores em São Paulo

A escalada da inflação nos preços dos alimentos tem transformado drasticamente as compras diárias e a alimentação das famílias em São Paulo. A situação afeta desde o orçamento familiar até a popularidade do governo federal, especialmente sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No bairro Parque Santo Antônio, Ionara de Jesus, mãe de três filhos, relata como sua estratégia para enfrentar os altos custos envolve alternativas criativas, como a substituição de itens essenciais por opções mais acessíveis.

Ionara, que recebe um salário mínimo através do Programa Operação Trabalho, depende de doações de cestas básicas para complementar sua renda insuficiente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma inflação de alimentos de 7,69% no ano passado, bem acima dos 1,11% registrados em 2023. Este aumento impactou diretamente a vida de pessoas como Ionara, que agora precisa driblar constantemente os preços elevados. Ela substituiu itens tradicionais, como feijão caro, por variações mais baratas e adotou estratégias inovadoras para estender a durabilidade dos produtos.

O economista André Braz, da FGV-Ibre, explica que fatores como resquícios da pandemia e questões climáticas têm contribuído significativamente para essa alta nos preços. A valorização do dólar, causada pela incerteza fiscal, também é apontada como um elemento relevante. Para Ionara, a carne vermelha deixou de ser uma opção viável há seis meses, sendo substituída por carcaças de frango e espinhas de porco, que oferecem uma alternativa econômica e nutritiva.

Em outros bairros, como Vila Nova Cachoeirinha, o motorista de aplicativo Luiz Benedito, com uma renda mensal de cerca de R$ 4 mil, também adaptou suas escolhas alimentares. Ele optou por consumir principalmente frango, que é mais barato e rico em proteínas. Além disso, ele recorre a mercados atacadistas para comprar produtos de limpeza e higiene pessoal em grandes quantidades, buscando maior durabilidade e economia.

Já na região da Vila Madalena, a gestora de marketing Marcella Dragone mantém um estilo de vida mais privilegiado, mas ainda assim sente o impacto da inflação. Ela ajustou suas compras, optando por marcas mais acessíveis e reduzindo o consumo de itens não essenciais. Apesar disso, Marcella prioriza alimentos saudáveis, como orgânicos, e busca equilibrar qualidade e preço em suas decisões diárias.

A inflação dos alimentos está mudando radicalmente as rotinas e escolhas de consumidores em diferentes regiões de São Paulo. Enquanto uns encontram maneiras criativas de adaptar suas dietas, outros se veem forçados a fazer escolhas difíceis entre necessidades básicas e desejos. A situação revela a complexidade dos desafios econômicos enfrentados pelas famílias brasileiras e o impacto direto desses desafios nas políticas públicas e na vida cotidiana.