





O aumento dos preços de alimentos e bebidas tem se tornado um desafio crescente para os brasileiros, com um incremento de 7,25% nos últimos doze meses até janeiro. Esse valor supera a inflação geral de 4,56%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Carnes, café, leite e frutas são alguns dos produtos que mais afetaram o orçamento das famílias, especialmente as mais vulneráveis. Este cenário está intrinsecamente ligado às mudanças climáticas.
A produção alimentar no Brasil enfrenta sérios desafios devido aos eventos climáticos extremos. Em 2024, o país registrou a pior estiagem em sete décadas, afetando cerca de 30% dos municípios por pelo menos um mês. Além disso, houve recordes de incêndios florestais e inundações devastadoras, como as observadas no Rio Grande do Sul. O calor excessivo e as chuvas intensas reduzem a produtividade agrícola, levando à perda de safras e ao desperdício. Esses fenômenos não só elevam os custos dos alimentos, mas também comprometem a disponibilidade de produtos nos mercados.
A crise climática impacta diretamente a segurança alimentar, especialmente em regiões rurais. No Assentamento Santa Rita de Cássia II, no Rio Grande do Sul, os agricultores experimentaram perdas significativas devido às enchentes e à seca prolongada. José Carlos de Almeida, morador desde 2005, relata que o ano passado foi o mais difícil, com perdas incalculáveis na produção agroecológica. Ele enfatiza que o verdadeiro custo é o bem-estar das pessoas e a biodiversidade local. Para enfrentar esses desafios, especialistas defendem a adoção de práticas agrícolas sustentáveis e a valorização da agroecologia. Mudanças nos sistemas produtivos, como o uso responsável da terra e a redução do uso de agrotóxicos, são essenciais para mitigar os impactos das mudanças climáticas.
A necessidade de justiça ambiental e a urgência em combater as mudanças climáticas tornam-se cada vez mais evidentes. É fundamental repensar o modelo agrícola atual, que intensifica as alterações climáticas e prejudica a disponibilidade de alimentos. Valorizar a agroecologia e incentivar o consumo de produtos locais são passos cruciais para garantir uma produção alimentar mais equilibrada e sustentável. Juntos, podemos construir um futuro onde a segurança alimentar e a proteção ambiental caminham lado a lado, promovendo o bem-estar de todas as comunidades.
