








A recente decisão do governo de isentar certos alimentos importados de impostos tem gerado debates sobre seu real impacto econômico. Analistas financeiros e especialistas discutem se essa medida trará benefícios tangíveis ou se trata apenas de uma estratégia publicitária para ganhar popularidade. A discussão abrange desde a logística até os preços internacionais, destacando que o cenário é complexo.
Os produtos beneficiados pela medida incluem itens essenciais como carne, café, açúcar e milho, além de outros menos consumidos pela população geral. Embora possa parecer promissora, a iniciativa enfrenta desafios significativos. O sócio-fundador da Ciano Investimentos, Lucas Sigu Souza, ressalta que fatores como custos logísticos e energéticos continuam inalterados, limitando o potencial de redução dos preços finais. Além disso, o Brasil já é um grande produtor e exportador desses alimentos, o que diminui a competitividade de preços com outros países.
O analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, aponta que a eficácia das medidas dependerá da implementação e da resposta do mercado. Ele sugere que é crucial monitorar os próximos meses para avaliar o verdadeiro impacto. Outro ponto importante levantado por Marisa Rossignoli, conselheira do Corecon-SP, é a influência do dólar alto, que encarece as importações, mitigando os benefícios esperados. Para ela, a medida pode ser mais simbólica do que efetiva no curto prazo.
O papel dos Estados na definição do ICMS também é crucial. A redução deste imposto poderia ter um efeito mais direto nos preços dos alimentos cotidianos, sugerindo que o governo está usando a isenção fiscal como uma forma de pressionar os estados a adotarem mudanças mais substanciais. Especialistas como Fabrício Tonegutti acreditam que o governo está empurrando os estados a reduzirem o ICMS, o que teria um impacto real e significativo nos preços dos alimentos. Essa abordagem estratégica visa não apenas conter a inflação, mas também melhorar a qualidade de vida da população, especialmente considerando que a comida é a principal despesa para a maioria dos brasileiros.
