



A segunda edição da Feira das Mulheres Quilombolas está marcada para os dias 4 e 5 de julho na Praça Costa Pereira, em Vitória. Este evento busca promover produtos artesanais e culturais enquanto celebra as tradições quilombolas. A programação inclui atividades como rodas de conversa, exibição de filmes, oficinas de jongo e apresentações artísticas. Paralelamente, o evento reivindica direitos territoriais e apoio à economia local.
Iniciativas como essa são organizadas pelo Coletivo de Mulheres Quilombolas Raízes do Sapê e contam com a participação de comunidades de várias regiões do Espírito Santo. A feira não apenas expõe bens produzidos pelas mulheres quilombolas, mas também aborda questões como racismo ambiental e educação escolar quilombola. O objetivo é fortalecer uma rede de solidariedade que valoriza práticas agroecológicas e sustentáveis.
Celebrando Diversidade Cultural e Produtiva
O evento congrega um vasto leque de habilidades e saberes transmitidos por gerações. Entre as participantes estão rezadeiras, professoras, mães de santo, advogadas e artesãs, cada uma contribuindo com sua expertise única. Essas mulheres demonstram suas capacidades em áreas diversas, desde a produção alimentícia até a fabricação de artigos artesanais.
A diversidade cultural presente na feira reflete a riqueza dos territórios quilombolas. As atividades propostas vão além da comercialização de produtos; elas incluem workshops sobre técnicas ancestrais, debates sobre temas relevantes e performances artísticas. Tudo isso visa criar uma plataforma onde as mulheres possam compartilhar suas experiências e ampliar seus conhecimentos. Além disso, a exposição de trabalhos manuais e culinários destaca a importância da preservação das tradições locais frente às ameaças modernas.
Luta por Direitos Territoriais e Sustentabilidade
Além da promoção cultural, a feira enfatiza questões cruciais relacionadas aos direitos territoriais das comunidades quilombolas. Muitas dessas famílias enfrentam dificuldades devido à falta de titulação oficial de suas terras, o que aumenta os conflitos com grandes proprietários e empresas interessadas no uso desse espaço.
O coletivo Raízes do Sapê ressalta que as mulheres ocupam um papel central nessa luta, defendendo tanto seus lares quanto seu meio ambiente. Eles argumentam que modelos alternativos de desenvolvimento econômico, baseados na agricultura familiar e no extrativismo sustentável, podem oferecer soluções viáveis para suprir necessidades básicas sem comprometer recursos naturais. Para isso, porém, é essencial garantir políticas públicas efetivas que apoiem iniciativas locais, como linhas de crédito acessíveis, infraestrutura adequada para beneficiamento de produtos e pontos de venda estruturados. A demanda por maior reconhecimento legal dos territórios tradicionais permanece como uma prioridade fundamental para assegurar segurança e autonomia às comunidades envolvidas.
