
Em janeiro de 2025, Cuba deu um passo significativo ao abrir a primeira loja que aceita dólares americanos em quase duas décadas. Este movimento marca uma nova fase na economia do país, governado pelos comunistas, que enfrenta dificuldades financeiras e busca alternativas para revitalizar seu sistema econômico. A loja, situada em Miramar, um bairro frequentado por diplomatas estrangeiros, tem recebido elogios dos poucos cubanos com acesso a dólares. No entanto, a iniciativa também destaca a crescente desigualdade entre os que têm acesso a moeda forte e os que não têm.
A loja recém-aberta está localizada perto de um complexo hoteleiro recentemente construído, oferecendo aos clientes produtos que normalmente são escassos nas lojas regulares. Yuliani González, uma moradora local, expressou sua admiração pelo supermercado, mas ressaltou que nem todos têm a possibilidade de comprar lá. Os cubanos com dólares podem aproveitar benefícios como evitar filas longas para comprar gasolina, reservar carros alugados ou quartos de hotéis de luxo. Além disso, em breve poderão recarregar seus planos de dados móveis sem complicações.
As autoridades cubanas justificam essa “dolarização parcial” como uma medida necessária para enfrentar os desafios econômicos da ilha, que foram intensificados pelo embargo comercial dos Estados Unidos e pelas sanções relacionadas. Em 2004, muitas lojas estatais adotaram o CUC, uma versão cubana do dólar, e em 2021 começaram a aceitar a MLC, uma moeda digital atrelada ao dólar. Omar Everleny, economista cubano, observa que essas mudanças refletem a necessidade urgente do governo de obter moeda estrangeira.
A expectativa é que as lojas de dólar ajudem a capturar parte das remessas enviadas ao país, permitindo que o governo use esse dinheiro para financiar programas sociais essenciais. No entanto, a crescente disponibilidade de produtos em dólares, em contraste com a moeda local, o peso, sublinha a disparidade entre aqueles que recebem remessas e outros meios de obter moeda estrangeira e aqueles que não têm tal acesso. Odisbel Saavedra Hernández, uma dona de casa que recebe dólares do marido no exterior, destacou a importância desses mercados para suprir as necessidades básicas de sua família.
Com esta nova abertura, Cuba espera mitigar suas dificuldades econômicas, mas reconhece que ainda há desafios significativos pela frente. A implementação de lojas que aceitam dólares americanos pode ser um passo importante, embora provoque reflexões sobre a equidade e a distribuição de recursos em uma sociedade onde a desigualdade começa a se tornar mais evidente.
