
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) expressou sua preocupação com a medida governamental que reduz impostos para a importação de nove produtos alimentícios. Segundo a entidade, a iniciativa pode beneficiar principalmente o público de renda média e alta, sem proporcionar mudanças significativas nos preços da cesta básica dos grupos mais vulneráveis. A Fiemg também ressaltou que a decisão foi tomada sem uma discussão aprofundada com o setor produtivo nacional, levantando dúvidas sobre a eficácia real da medida.
Preocupações com os Benefícios Reais para o Consumidor Final
A federação argumenta que a desoneração tributária é essencial, mas precisa ser estendida à produção nacional. Isso porque a indústria brasileira enfrenta uma carga fiscal elevada e custos operacionais significativos. Além disso, alguns dos produtos contemplados pela medida atendem principalmente um público de maior poder aquisitivo, como azeite, óleo de girassol e biscoitos. Portanto, a iniciativa pode não trazer impactos significativos para a população de menor renda.
A Fiemg enfatiza que o setor industrial não deve ser responsabilizado pela alta dos preços, já que os custos tributários e logísticos são repassados ao longo da cadeia produtiva. A entidade defende um debate transparente e técnico sobre soluções estruturais, incluindo a simplificação tributária e a promoção da competitividade da indústria nacional. Essas medidas seriam mais efetivas para garantir uma redução sustentável nos preços dos alimentos, beneficiando todos os consumidores, especialmente aqueles com menor poder aquisitivo.
Perspectivas do Governo e Próximos Passos
O governo reconhece que as medidas anunciadas podem não ter um efeito imediato na redução dos preços dos alimentos. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, admitiu em entrevista que os resultados podem não ocorrer na velocidade desejada. Por outro lado, o presidente Lula afirmou que tomará medidas mais drásticas se não encontrar uma justificativa para a alta nos preços, demonstrando seu compromisso em encontrar soluções para garantir o acesso à alimentação de qualidade para todos os brasileiros.
A Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas reitera sua disposição para dialogar com o governo e outros atores da cadeia produtiva, buscando soluções que beneficiem tanto a indústria quanto o consumidor de forma sustentável e estruturada. A entidade sugere que a implementação de políticas fiscais mais abrangentes e a promoção da competitividade interna seriam passos cruciais para alcançar esse objetivo. Além disso, a Fiemg defende a necessidade de um diálogo constante entre governo e setor produtivo para identificar e implementar medidas efetivas que realmente impactem positivamente o bolso do consumidor final.
