



A Colossal Biosciences, uma empresa de biotecnologia com sede nos EUA, que ganhou destaque por suas tentativas de reviver espécies extintas, como o lobo-gigante, agora volta sua atenção para uma ave ancestral da Nova Zelândia. Em uma colaboração notável, a empresa anunciou um projeto ambicioso para trazer de volta a moa-gigante-da-Ilha-Sul. Esta empreitada conta com o apoio financeiro e o valioso acervo de fósseis do renomado diretor de cinema Peter Jackson, que tem demonstrado um interesse crescente em tecnologias que exploram a capacidade de reviver a vida.
A moa-gigante-da-Ilha-Sul, uma ave colossal que chegava a medir 3,6 metros de altura e pesar cerca de 230 quilos, foi erradicada no século XV devido à caça intensiva pelo povo maori, que colonizou a região. Atualmente, os descendentes dos maoris, por meio do Centro de Pesquisa Ngāi Tahu (NTRC) da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, estão à frente dessa iniciativa de ressurreição. Peter Jackson, conhecido por sua paixão por essa espécie e proprietário da maior coleção de ossos de moa, forneceu seu material ao NTRC, estabelecendo uma conexão direta entre o entretenimento global e a ciência de ponta.
Desde outubro do ano anterior, Peter Jackson investiu US$ 15 milhões na Colossal, motivado pelo progresso da empresa na desextinção do lobo-gigante. Ele expressou grande entusiasmo em contribuir para a preservação dos \"tesouros\" da cultura maori, referindo-se não apenas à moa, mas também a outras espécies ameaçadas. A Colossal emprega uma metodologia de desextinção funcional, que envolve a identificação de genes específicos de animais extintos e sua reintrodução em genomas de espécies geneticamente próximas ainda existentes. Esse processo resulta em descendentes que, embora não sejam réplicas exatas das espécies originais, possuem características funcionais semelhantes.
A abordagem da Colossal tem gerado debates na comunidade científica. Enquanto alguns pesquisadores veem o trabalho da empresa como uma valiosa fonte de conhecimento para a conservação de espécies ameaçadas, outros criticam suas práticas, considerando-as mais focadas na atenção midiática e na captação de recursos do que em soluções reais para a crise global de extinção. Apesar das controvérsias e dos desafios inerentes à ressurreição de uma ave extinta há milhões de anos, a Colossal continua a atrair grandes investimentos, com figuras proeminentes como Paris Hilton, Tom Brady, Chris Hemsworth e Tiger Woods entre seus apoiadores, o que elevou seu valor de mercado para mais de US$ 10 bilhões em janeiro deste ano.
O projeto da moa representa um novo e complexo desafio para a Colossal, pois é a primeira vez que a empresa se aventura na desextinção de aves, que possuem sistemas reprodutivos distintos dos mamíferos. A grande distância evolutiva entre a moa e suas parentes vivas torna o processo de recriação genética ainda mais complicado. A esperança é que, apesar dessas dificuldades, o projeto não só possa trazer de volta uma parte importante do ecossistema neozelandês, mas também possa gerar insights cruciais para futuras iniciativas de conservação.
