
O evento VI Seminário Internacional sobre a Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe reuniu especialistas e autoridades para discutir turismo comunitário e a gestão participativa desse importante sítio cultural. A região, que abrange Ceará, Pernambuco e Piauí, é conhecida por sua rica biodiversidade e patrimônios históricos, sendo agora candidata a Patrimônio Mundial pela Unesco.
A discussão destacou a necessidade de integrar comunidades locais no processo de preservação, além de ressaltar o papel fundamental da ancestralidade na construção dessa identidade cultural. O seminário também celebrou a inclusão da Chapada do Araripe na Lista Indicativa da Unesco, um passo crucial rumo ao reconhecimento internacional.
Patrimônio Vivo e Participação Social
A integração das comunidades locais na gestão da Chapada do Araripe foi amplamente debatida durante o evento. Autoridades enfatizaram como o envolvimento social pode fortalecer tanto a preservação quanto o desenvolvimento sustentável da região. Especialistas destacaram que o conceito de "patrimônio vivo" engloba não apenas aspectos naturais, mas também os valores culturais transmitidos pelas gerações.
O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, afirmou que o Brasil sempre esteve à frente em termos de inovação nas convenções internacionais. Ele explicou que o diferencial da Chapada está justamente na conjugação entre elementos naturais e culturais, formando uma identidade única. Essa sinergia torna imprescindível a participação ativa das populações locais, cujo pertencimento histórico é essencial para a preservação dos valores universais excepcionais da região.
Inscrição na Lista Indicativa da Unesco
Um dos destaques do seminário foi a inscrição oficial da Chapada do Araripe na Lista Indicativa da Unesco, marcando um marco significativo no caminho para se tornar Patrimônio da Humanidade. Esse registro, que ocorreu em 2024, representa uma etapa inicial obrigatória antes da formalização de qualquer candidatura oficial.
Segundo o secretário Fabiano Piúba, essa conquista só foi possível graças à recriação do Ministério da Cultura e ao trabalho conjunto entre várias instituições governamentais e não governamentais. Ele mencionou que a Chapada possui características únicas que remontam a mais de 180 milhões de anos, preservando importantes registros geológicos e arqueológicos. Esses atributos, somados às tradições culturais ancestrais, fazem da região um local singular no panorama mundial. As próximas etapas incluem estudos detalhados e mapeamento completo do território para consolidar a candidatura junto à Unesco.
